Luz e Cor

“A boa consciência desses vermelhos e desses azuis, e da simples veracidade deles – é isso que nos educa. E se nos postarmos sob eles da maneira mais receptiva possível, é como se eles fizessem alguma coisa por nós.”

Rainer Maria Rilke

Apagaram a luz. Olhos encobertos de sombra não avistam cor.

Humanos, muitos. Afogados no meio de suas travessias adentro de tons mutáveis e contínuos. Rostos sem feições. Descartados lá na esquina, naquela estrada, no beco sem saída, perto do mar e dentro de nossas casas. Antes humanos, agora restos; quebrados, marginalizados e, por vezes, invisíveis. Empoçados no vermelho que oxida, enrijece e fica preto.

Um adoecimento coletivo colhe ódio e ignorância, interrompendo a pessoa no seu caminho. Pessoas são mortas por amarem ou por não caberem dentro de gêneros constritos. A violência transpira na palavra descuidada, no gesto irresponsável, no berço azul ou rosa, no fundamentalismo religioso, na gargalhada leviana e no silêncio que nos faz de cúmplice.

Guimarães Rosa já nos perguntava: “se todo animal inspira ternura, o que houve, então com os homens?”. Aqui estamos no Brasil, onde viver é perigoso.

O tênue clarear alaranjado nos traz à luz de uma noite preta e com ela um novo dia. O primeiro e todo raio de luz traz um arco-íris pleno dentro de si. Em forma de bandeira sete vira seis, certas cores mais frequentes, outras mais raras. Em cada cor vive uma vida misteriosa a vibrar. E através delas somos despertados para uma consciência sensível, nos abrindo a uma nova existência, por e além da cor.


“The good conscience of these reds, these blues, their simple truthfulness, it educates you; and if you stand beneath them as acceptingly as possible, it’s as if they were doing something for you.”

Rainer Maria Rilke

The lights were turned off. Eyes overcast by shadow can’t envision color.

Humans, many. Drowned in the middle of their inward crossing through mutable and continuous tones. Featureless faces. Discarded there on the street-corner, on that highway, in the blind alley, near the sea and in our own homes. Before humans, now remains; broken, marginalized, and at times, invisible. Puddled in the oxidizing red, which hardens and turns black.

A collective sickness reaps hate and ignorance, interrupting the person in their path. People are killed for loving, or for not fitting inside constrictive genders. Violence transpires in the careless word, the irresponsible gesture, in the pink or blue cradle, in religious fundamentalism, in the frivolous laughter and in the silence that makes us an accomplice.

Guimarães Rosa already asks us: “if every animal inspires tenderness, what happened then, with men?” Here we are in Brazil, where it is dangerous to be alive.

The tenuous orange clearing brings us to light from a black night, and with it, a new day. The first and every ray of light brings a full rainbow inside itself. In the form of a flag, seven becomes six, certain colors more frequent, others much more rare. In every color lives a mysterious life to vibrate. And through them we are awakened to a responsive conscience, opening us to a new existence for, and beyond color.

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