Sobre o projeto

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Seis dias para um arco-íris surge frente à invisibilidade de uma violência crescente contra uma população específica; a violência contra a liberdade de ser quem se é. Através de uma pintura por dia, o projeto cria um registro dos assassinatos de natureza homofóbica e transfóbica cometidos no Brasil a partir do dia 1 de Janeiro de 2016.

A cada dia a artista Alessandra Duarte pinta uma tela. Se não houver nenhum assassinato de natureza homofóbica ou transfóbica relatado no dia, a tela carrega uma das cores do arco-íris, seguindo a sequencia das cores da bandeira do movimento LGBTQ. Um arco-íris forma-se através de seis dias consecutivos de cor, começando com uma pintura vermelha e terminando em uma tela violeta, simbolizando seis dias sem homicídios. Porém, a formação de um arco-íris é impossibilitada sempre que há um assassinato. Neste caso, faz-se um retrato ou representação em preto e branco da pessoa, ou pessoas, que foram mortas naquele dia. Retorna-se à tentativa de formar um arco-íris no próximo dia sem homicídio, começando novamente pelo vermelho.

As imagens e retratos elaborados nas pinturas advém do acompanhamento de sites de projetos de monitoramento desse tipo de assassinato. Dentre eles estão o site “Quem a Homotransfobia matou hoje?” e “Rede Trans Brasil” que relatam casos no Brasil. Outro, é o Europe Trans Murder Monitoring (TMM) que coleta e analisa relatórios de homicídios de pessoas transgêneros e homossexuais no mundo inteiro. Eles documentaram 1,731 homicídios relatados entre 2008 e 2014. Destes, 689, ou 40% das mortes relatadas no mundo inteiro ocorreram no Brasil.


About the project:

Six days for a Rainbow appears in light of the invisibility of the increasing violence against a specific population: the violence against the freedom of being who you are. Through one painting a day, the project creates a calendar registering homophobic and transphobic murders committed in Brazil, starting from January 1st 2016.

Every day the artist makes a painting. If there were no homophobic or transphobic murders reported on that day, the canvas carries one of the colors of the rainbow, following the sequence of colors from the flag of the LGBTQ movement. A rainbow is formed through six consecutive colors, starting with a red painting and ending in a violet canvas, symbolizing six days without murders. However, the formation of a rainbow is hindered every time there is a killing. In that case, a portrait or representation of the person, or persons, that were killed on that day is painted. There is a return to the attempt to make a rainbow in the next day without a murder, starting once again with red.

The images and portraits developed in the paintings come from following sites of projects that monitor this type of violence. Among them are: “Quem a Homotransfobia matou hoje?” and “Rede Trans Brasil” that report cases in Brazil. Another site is “Europe Trans Murder Monitoring (TMM) that collects and analyses murder reports of transgender and homosexual people around the world. From 2008 to 2014 they documented 1,731 homicides. Among these, 689, or 40% of all the murders in the world happened in Brazil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Luz e Cor

“A boa consciência desses vermelhos e desses azuis, e da simples veracidade deles – é isso que nos educa. E se nos postarmos sob eles da maneira mais receptiva possível, é como se eles fizessem alguma coisa por nós.”

Rainer Maria Rilke

Apagaram a luz. Olhos encobertos de sombra não avistam cor.

Humanos, muitos. Afogados no meio de suas travessias adentro de tons mutáveis e contínuos. Rostos sem feições. Descartados lá na esquina, naquela estrada, no beco sem saída, perto do mar e dentro de nossas casas. Antes humanos, agora restos; quebrados, marginalizados e, por vezes, invisíveis. Empoçados no vermelho que oxida, enrijece e fica preto.

Um adoecimento coletivo colhe ódio e ignorância, interrompendo a pessoa no seu caminho. Pessoas são mortas por amarem ou por não caberem dentro de gêneros constritos. A violência transpira na palavra descuidada, no gesto irresponsável, no berço azul ou rosa, no fundamentalismo religioso, na gargalhada leviana e no silêncio que nos faz de cúmplice.

Guimarães Rosa já nos perguntava: “se todo animal inspira ternura, o que houve, então com os homens?”. Aqui estamos no Brasil, onde viver é perigoso.

O tênue clarear alaranjado nos traz à luz de uma noite preta e com ela um novo dia. O primeiro e todo raio de luz traz um arco-íris pleno dentro de si. Em forma de bandeira sete vira seis, certas cores mais frequentes, outras mais raras. Em cada cor vive uma vida misteriosa a vibrar. E através delas somos despertados para uma consciência sensível, nos abrindo a uma nova existência, por e além da cor.


“The good conscience of these reds, these blues, their simple truthfulness, it educates you; and if you stand beneath them as acceptingly as possible, it’s as if they were doing something for you.”

Rainer Maria Rilke

The lights were turned off. Eyes overcast by shadow can’t envision color.

Humans, many. Drowned in the middle of their inward crossing through mutable and continuous tones. Featureless faces. Discarded there on the street-corner, on that highway, in the blind alley, near the sea and in our own homes. Before humans, now remains; broken, marginalized, and at times, invisible. Puddled in the oxidizing red, which hardens and turns black.

A collective sickness reaps hate and ignorance, interrupting the person in their path. People are killed for loving, or for not fitting inside constrictive genders. Violence transpires in the careless word, the irresponsible gesture, in the pink or blue cradle, in religious fundamentalism, in the frivolous laughter and in the silence that makes us an accomplice.

Guimarães Rosa already asks us: “if every animal inspires tenderness, what happened then, with men?” Here we are in Brazil, where it is dangerous to be alive.

The tenuous orange clearing brings us to light from a black night, and with it, a new day. The first and every ray of light brings a full rainbow inside itself. In the form of a flag, seven becomes six, certain colors more frequent, others much more rare. In every color lives a mysterious life to vibrate. And through them we are awakened to a responsive conscience, opening us to a new existence for, and beyond color.